No campo da Segurança e Medicina do Trabalho, a investigação de acidentes tem um objetivo muito claro: identificar as causas e implementar medidas eficazes de controle para evitar a repetição do evento. Não se trata de buscar culpados, mas de encontrar as falhas sistêmicas que permitiram que o acidente ocorresse.
Base Legal
A NR-01 — Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (Portaria SEPRT nº 6.730/2020) determina que:
“O empregador deve analisar todos os acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, documentando as conclusões, identificando as causas e implementando ações corretivas e preventivas.”
Essa obrigação está em sintonia com:
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Artigos 157 e 158 da CLT — Dever do empregador de cumprir e fazer cumprir as normas de segurança, e obrigação do empregado de colaborar.
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Artigo 19 da Lei nº 8.213/91 — Define acidente de trabalho e reforça a importância de prevenção.
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Convenção nº 155 da OIT — Prevê a análise e investigação para prevenir recorrências.
Portanto, não se trata apenas de boa prática, mas de exigência legal que pode gerar responsabilidades administrativas, civis e até penais ao empregador em caso de omissão.
As 5 Etapas Essenciais para uma Investigação de Acidentes
1. Defina uma equipe multidisciplinar e planeje a pesquisa
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Inclua o profissional de SST, liderança do setor, representantes da CIPA e, se possível, especialistas técnicos.
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A NR-05 (CIPA) prevê a participação da comissão em investigações, fortalecendo a legitimidade do processo.
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O planejamento deve considerar a gravidade e o potencial de recorrência do evento.
Fundamento legal: Art. 163 da CLT e NR-05.
2. Conheça a fundo o processo de trabalho
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Mapear as etapas do processo relacionado ao acidente.
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Entender o fluxo, ferramentas, materiais, condições ambientais e organização do trabalho.
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Isso permite identificar em qual etapa ocorreu a falha.
Fundamento legal: NR-01 (GRO) e NR-04 (SESMT), que exigem conhecimento técnico sobre processos e riscos.
3. Colete dados de forma objetiva e separe fatos de interpretações
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Registrar evidências (fotos, vídeos, documentos).
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Entrevistar envolvidos e testemunhas, sempre deixando claro que o objetivo não é punitivo.
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Diferenciar fato (objetivo e verificável) de opinião ou interpretação.
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Evitar “viés de responsabilização individual”, focando na análise técnica.
Fundamento legal: NR-01, item 1.5.7, que exige análise com base em evidências.
4. Escolha uma metodologia adequada e analise as causas
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Para eventos graves, usar métodos robustos como Árvore de Causas, ICAM, 8Ds, Ishikawa ou 5 Porquês.
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Lembrar que acidentes são multicausais — raramente há uma única causa.
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Focar em causas sistêmicas e não apenas no chamado “ato inseguro”.
Fundamento legal: NR-01, GRO, que exige considerar as causas básicas e imediatas para definir medidas de controle.
5. Construa um plano de ação factível e monitore os resultados
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As medidas devem seguir a Hierarquia de Controle prevista no GRO:
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Eliminação do risco
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Substituição
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Controles de engenharia
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Controles administrativos
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Uso de EPIs
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Documentar todas as ações e prazos.
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Monitorar e verificar a eficácia, ajustando quando necessário.
Fundamento legal: NR-01, item 1.5.7.3, e NR-09 (no que se refere ao PGR).
Conclusão
A investigação de acidentes é um instrumento jurídico e preventivo que protege trabalhadores, preserva a imagem da empresa e reduz passivos trabalhistas. Cumprir as exigências legais não é apenas evitar multas, mas garantir a integridade física e mental de todos no ambiente laboral.
💡 Lembre-se: documentar todo o processo é fundamental para demonstrar o cumprimento das obrigações legais e evidenciar que a empresa adota uma postura proativa na gestão de segurança e medicina do trabalho.




